
Carioca, 56 anos, três filhos adultos que são a maior bênção que já recebi na vida, pisciana, sonhadora, com ascendente em Áries, portanto guerreira e chata, com lua em Câncer, o que me faz um pouco mãezona. Espírito jovem, o que vive me causando problemas, pois gosto de quase tudo que os jovens gostam. Acho lindo piercing, apesar de não tê-los, gosto de techno, gosto de tatuagem, e gosto de festas.
Por outro lado, também gosto muito de ler, de ficar em casa, cozinhar, ouvir música clássica, assistir concertos e balés. E, principalmente, curto muito a minha idade, meu saber e minhas marcas de passagem por essa vida.
Sou leitora eclética. Admiro desde os clássicos russos e franceses, passeio pelos poetas portugueses, filósofos gregos, alemães, franceses e brasileiros e, atualmente, tenho dedicado bastante atenção aos escritores e pensadores orientais.
Assim como na leitura, minhas músicas prediletas vão desde os "might five"russos, passando pelas óperas, pelo blues, rock,mpb e pelos sambas e folclores brasileiros.Ou seja, sou uma bagunça intelectual!

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Que Dia!!!
Hoje, o mundo perdeu dois grandes. Farrah Fawcett e Michael Jackson!!!
Como eles nos encantaram....
Rest in Peace!
O Pianista
Ontem, quando o dia amanhecia, morria, de um infarto fulminante, o “meu pianista”.
Venho de uma família mineira e meus avós maternos moravam numa cidade pequena, ao sul, chamada Itanhandu. Era lá que passávamos as férias grandes, onde todos os primos se encontravam. Os que moravam no Rio, os que moravam em São Paulo e os de lá mesmo. O “meu pianista” era um primo muito querido, que nasceu cego, vítima de uma rubéola contraída por minha tia quando grávida. Maurício, que desde pequeno estudava piano, morava em São Paulo, no Instituto de Cegos, e, como todos nós, passava as férias na casa de seus pais que moravam na cidade.
Era uma farra e tanto!! Do Rio íamos 18 netos, de São Paulo, 7 e em Itanhandu tinham mais 6. Já imaginaram o que era essa garotada toda solta pela cidade, nadando em rios, subindo em árvores e correndo da chuva? Foram belos tempos....
Nas nossas bricadeiras nem sempre podíamos incluir o Maurício, mas ele já sabia, não se importava. Sempre aceitou sua condição de deficiente e, quando ficávamos aborrecidos por ter de excluí-lo, ele nos mostrava habilidades que só ele tinha, como por exemplo, saber quem colocava sua mão na dele, saber que nota de dinheiro entregáva-mos para ele, e outras tantas percepções que nos suplantavam.
Nos tempos de festas da Igreja, onde a cidade toda participava com barraquinhas, leilões de almoços de domingos e oferecimento de músicas para as paqueras, nós produzíamos shows e vendíamos ingressos. Nosso show era sempre feito no salão da Igreja onde havia um piano. Bolávamos números de dança e esquetes sempre com o Maurício tocando para nós.
Me lembro de um especialmente engraçado, (mais ou menos na época em que fazia sucesso a novela da Glória Magadan, O Sheik de Agadir) onde minha irmã mais velha entrava em cena carregada em uma almofada por dois primos ao som da Dança do Fogo de Manuel de Faya.
As lembranças vieram aos borbolhões quando me avisaram de sua morte. Ele era o meu herói!
Aquele que sem enxergar sabia mais que todos nós. Aquele que, ao seu modo, fez da vida tudo o que quis. Viveu do piano.Seu compositor predileto era Chopin e chegou a responder sobre sua vida no Programa J.Silvestre na televisão. Foi até a última etapa, perdendo no último programa.
Meu primo, “meu pianista”, foi um exemplo de superação, mostrando a quem o conhecesse que era possível ter uma vida normal e exercer com competência uma profissão muito disputada. Nunca deixou de se apresentar pelo país e algumas vezes fora dele, sempre viajou sòzinho, e sempre, dentro da escuridão que lhe cercava, encontrava uma palavra doce para nos confortar.
Faço aqui, hoje, meu tributo a esse primo que me ensinou que nem sempre é preciso ter olhos para ver, viver e ser feliz.
Que susto!!
(Ou a gente só vai mesmo quando chega a nossa hora)
Mês de dezembro caminhando, ano bom, sem grandes problemas, feliz esperando o Natal quando toda a família se encontra. Vou ver meus filhos que moram fora, irmão, sobrinhos, que também moram fora.
No dia 18 minha mãe liga cedo, apavorada, contando que meu irmão caçula (47 anos) ligou avisando que não viria mais, pois havia ido a um médico que o proibiu de pegar um avião e marcou um cateterismo para o dia seguinte. Acalmei-a, disse que falaria com ele para saber melhor o que estava acontecendo e liguei para ele.
“Tudo começou quando estávamos na Europa em fins de agosto. Ele foi para fazer um pós doutorado em Paris e dar umas voltas antes de começar, e eu fui para passear com a Stella. Combinamos de nos encontrar em Amsterdam, não conseguimos, foi um desencontro total e no dia que ele foi para Estocolmo deixou um recado no meu celular meio triste, dizendo que talvez o destino não quisesse que nos encontrássemos. Quando eu estava em Paris e ele em Roma recebi um mail dele, contando que tinha sentido uma dor fortíssima no peito e no braço esquerdo, chamou um médico no hotel que diagnosticou ou uma angina ou infarto. Deu-lhe um vidro de isordil e recomendou-lhe que fosse para um hospital. Meu bravo irmão, deitou-se e ficou dois dias no hotel sem se mexer e quando melhorou, foi para Veneza. Lá chegando, por estar com muita dor, criou coragem e foi para um hospital. O médico que o atendeu fez um eletro, disse que ele não tinha nada no coração, jogou fora o vidro de isordil e receitou-lhe um antiinflamatório por achar que a dor que ele sentia seria uma nevralgia por estar carregando mochila. Isso era tudo que meu irmão queria ouvir. Comprou uma mala, continuou a viagem, foi a Madri, Barcelona e enfim, sempre com dor, chegou em Paris.
Nos falamos por telefone, achei-o triste, mas já estava acomodado no apartamento que havia alugado. Eu fiquei tranqüila, pois ele logo começaria o pós doc., estava bem instalado, a gente poderia falar mais vezes com ele, etc... A dor, sempre ali, mas menor.
Às vezes ele contava que ficava muito em casa, que estava frio, e andava desanimado. Estranhei, mas achei que ele poderia estar com algum tipo de depressão, pois o ano dele não estava sendo fácil. Havia se separado de um casamento de 15 anos, estava morando meio provisório uma vez que estava indo para Paris, etc...
Em novembro ele voltou, ficou mais animado buscando casa para morar, viajou para fazer umas bancas de doutorado aqui pelo Brasil e, em dezembro, ao fazer sua mudança e carregar para o segundo andar da casa uma TV de 29 polegadas, sentiu novamente a dor avassaladora. Dia seguinte, foi ao médico e ao fazer um dopler químico, ficou sabendo que precisava de um cateterismo.
Convenci-o que deveria vir para cá no dia seguinte, que ele já tinha viajado tanto sem saber de nada e que não seria nessa viagem que morreria. Marquei um cardiologista, fui buscá-lo no aeroporto e de lá fomos direto para o médico. Aí começou nosso filme de terror. Do consultório direto para uma UTI cardíaca, um cateterismo, um infarto não tratado, parte baixa do coração necrosada, etc., etc, e quatro pontes no coração.
No meio de tudo, mandato de segurança, fórum em recesso e Natal chegando.
Eu, meio em pânico, me consolava pensando que ele não havia passado tanto tempo sem se tratar e continuava vivo, não haveria de ser agora, com toda a assistência possível que as coisas iriam dar errado. Fiz disso uma certeza e enfrentamos tudo com muita fé, muita esperança.
Passamos o Natal nos revezando na UTI que naquele dia abriu para visitas de 21 as 23 hs., e agradecendo muito esse renascimento do meu irmão.”
Com esse post quero me desculpar com todos os amigos que me enviaram votos de Feliz Natal que eu não consegui retribuir. Agora, com ele se recuperando aqui no Rio é que estou começando a ter tempo para escrever e agradecer a todos pelo carinho.
Um ano cheio de alegrias e renascimentos é o que desejo a todos!
“Dura Realidade”
Como já contei aqui, trabalho em um shopping no posto seis em Copacabana. Ainda tenho o mau hábito de fumar, então, tenho que descer ir para a porta do shopping para fazer minha fumacinha. Estava eu lá, quando chegou um Sr. chamado “Mangiare” que faz ponto por ali. Ele tem uma carrocinha cheia de balas, amendoins, bananadas e outras besteiras mais. Seus grandes clientes são o vendedores das inúmeras joalherias que ficam na rua tentando abordar os gringos que passam por lá.
Daí a pouco, passa um menino de uns 16/17 anos empurrando uma carrocinha do novo sorvete da Garoto. Ele passa, para, e chega até a carrocinha do “Mangiare”. Ele tentou comprar mariola, mentex, mas como só tinha R$ 0,30 o que deu foram 6 balinhas que pensei talvez fossem seu almoço. Colocou suas balinhas no bolso e foi-se embora com seus sorvetes. Logo depois, aparecem dois PMs, fardados, com coletes à prova de balas (agora eles andam assim aqui no Rio) e um deles, com alguma intimidade cumprimentou o “Mangiare” e o apresentou ao colega como sendo o vendedor da melhor bananada da praia de Copacabana. Sem nenhuma cerimônia, meteu sua mão na carrocinha, tirou duas bananadas para ele, duas para o amigo e foi-se embora comendo as guloseimas roubadas.
Fiquei com tanta raiva, mas tanta, que apaguei meu cigarro, engoli em seco e voltei para meu escritório. Pensei em armar um “barraco”, mas pensei que ainda poderia prejudicar o bom “Mangiare” que, como tantos outros são diariamente roubados por quem tem o dever de defender a lei.
Triste cidade essa nossa, tendo que conviver com essa corja que se sente acima do bem e do mal!
Contando estórias....
Quando estiver meio sem assunto, resolvi contar algumas estórias que já se passaram comigo. Vou começar com essa, que é a mais recente.
Um amigo distraído...
Logo que comecei com o blog, na primeira Flip que aconteceu, convidei os que me visitavam para irmos a Parati e nos conhecermos. Alguns atenderam a esse convite e acabamos fazendo uma farra e tanto, que rendeu inúmeros posts.
Junto comigo foram uma amiga e um amigo que não pertencem à blogsfera mas se divertiram tanto quanto nós. Ao chegarmos lá, decidi que o Miguel de Souza Tavares seria meu futuro marido. Afinal, eleger Paul Auster, seria muito descaramento uma vez que ele estava acompanhado de sua linda mulher. O Miguel, apesar de estar sozinho, ostentava uma aliança que mais parecia aquelas bóias de pneus que descíamos o rio. Mas isso não importava, uma vez que eu só decidi que ele seria meu marido, não disse quando, e também, até hoje, ele não sabe disso. Só os amigos que lá estavam.
Quando fui receber seu autógrafo no excelente livro Equador, me senti uma celebridade! Eram todos os amigos com suas máquinas à postos para registrar tão importante momento. Rimos muito e até hoje, meus amigos quando se referem a ele, sempre indicam-no como “o meu marido”.
Há duas semanas atrás, estava voltando do trabalho quando meu celular tocou e era um desses amigos que estavam na Flip.
- Hei, tudo bem?
- Tudo. Estou em Lisboa, numa livraria e adivinha o que eu vi? Um poster enorme do “seu marido” e o novo livro dele.
Comentei que havia lido algo que ele estava escrevendo sobre o Brasil, inclusive que andou por aqui na Amazônia fazendo pesquisa.
- É verdade! O livro se chama “Rio das Flores” e a capa, imagine, é o calçadão de Copacabana!!
- Uau! Que máximo, respondo eu.
Conversamos um pouco mais, ele me disse que voltaria para o Rio no final de semana, e nos despedimos.
Bom, pela ligação que recebi imaginei que ganharia o novo livro do Miguel, ou no mínimo se não ganhasse, pelo menos teria a oportunidade de lê-lo antes do lançamento por aqui. Acabei resolvendo que iria ganhar o livro, pois esse meu amigo sempre me presenteia quando volta de suas viagens. Já ganhei um livro sobre Edimburgo quando ele foi à Escócia, um perfume quando esteve em Paris e, agora, por que não o novo livro do “meu marido”? Ele até me ligou!
Para encurtar a estória, ele chegou, nos encontramos, nos encontramos de novo, e nada dele falar no livro. No terceiro ou quarto encontro é que ele comentou ter ido com a namorada em duas livrarias e não encontrava o livro por aqui. Só então eu disse que não havia acreditado no fato dele estar na livraria, lembrar de mim, telefonar para contar e não ter comprado o livro. Era muita “cabeça de vento” para mim. Em sua defesa ele alegou achar que já teríamos aqui e me proibiu de comprá-lo, pois para ele virou uma “questão de honra” me presentear com esse livro. Pode?
Hoje de manhã li na coluna do Ancelmo Gois que o “Rio das Flores” será lançado por aqui em março pela Companhia das Letras. Acho que vou ligar para ele avisando.
Que dia!
“Tudo, aliás, é a ponta de um mistério
Há razões e rasões
Viver é impossível”...
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(João Guimarães Rosa – Primeiras Estórias)
Apesar do amanhecer ensolarado, ontem o dia foi triste e tenso.
Sabíamos que à tarde um companheiro nosso de trabalho seria operado para a retirada de um tumor maligno em seu intestino. Seria uma operação de risco já que ele se encontra com uma enorme anemia e também uma idade avançada.
Um pouco antes da hora da cirurgia, estou parada num ponto de ônibus a caminho do Leblon e, triste, penso no inferno que espera meu amigo. Começa uma chuva fina, me irrito com ela pois o dia amanheceu com sol e ali estava eu de sandália, blusa fina, sem mangas e sem guarda chuva. Ainda resmungava comigo mesmo quando escuto um barulho grande e seco. Olho em sua direção e, sem acreditar no que via, o corpo de um homem jazia a menos de um metro atrás de mim.
Era o porteiro do prédio em frente de onde eu estava, que havia despencado do telhado ao subir para limpar a calha por causa da chuva que começara. Fiquei catatônica, sem reação a não ser tremer.
Naquele momento me dei conta que minha vida ficara a menos de um metro de distância.
Um dia branco
Dai-me um dia branco, um mar de beladona
Um movimento
Inteiro, unido, adormecido
Como um só momento.
Eu quero caminhar como quem dorme
Entre países sem nome que flutuam.
Imagens tão mudas
Que ao olhá-las me pareça
Que fechei os olhos.
Um dia em que se possa não saber.
(Sophia de Mello Breyner Andersen)
Surpresas no feriado...
Esses dias todos emendados, aproveitei para ficar em casa e descansar. Fiquei cinco dias em casa, acordando tarde e sem nenhum compromisso. Na verdade só quatro pois na quinta-feira foi aniversário do Luis e ele inventou um almoço para a família e os futuros sogros.
Quando soube que ele havia convidado os pais da Manuela, sua namorada, percebi logo que já tinha visto esse filme em agosto, quando o Vitor também inventou um almoço com os pais da namorada e acabou se casando um mês depois. Não deu outra! Além de comemorarem o aniversário, oficializaram a decisão, não de se casarem, mas de se juntarem em Janeiro (daqui há dois meses).
Na época do casamento do Vitor, a mãe da Manu comentou comigo que achava que todo mundo deveria experimentar morar junto primeiro, para depois pensar em casamento. Não concordo com essa teoria, até porque, para mim morar junto ou casar é a mesma coisa. Só acho que quando a gente se casa, o comprometimento é maior, não se pensa em separação na primeira desavença, mas não é do meu feitio me meter. Meus filhos já são homens, independentes, donos de suas vidas e não sou eu quem vai dar palpite, mas que não gosto da idéia não gosto não. Preferia que se casassem.
O Luis, que sabe o que penso, chegou de mansinho e me disse: calma, mãe, vai acabar sendo tudo do jeito que você gosta, é que ela precisa se acostumar com a mudança. No fundo ele tem razão, pois a Manu não vai se mudar como a Carla para a Gávea, mas para Belo Horizonte, o que fica bem mais complicado de se adaptar. É uma cidade estranha para ela, onde não conhece ninguém, e ela sabe que o Luis viaja muito, pois ele atende usinas no Recife, Ceará e Bahia. Enfim, só me resta torcer para que sejam felizes e vivam bem.
E com mais essa novidade, estou “desencalhando” todos os meus filhos. Agora só falta o Pedro resolver sua vida com a sua Juliana e eu ganhando três filhas lindas!
Para escrever bem, é preciso disciplina.
Quando a gente está sempre escrevendo, colocando para fora os pensamentos, a escrita vem fácil, as palavras brotam e quando a gente vê, lá está um texto bacana.
Quando leio os blogs amigos, tenho sempre a impressão que, neles, as palavras jorram, a linha de pensamento é lógica, as tramas são bem delineadas, os textos parecem brotar com muita facilidade, como se não precisassem de nada além de se sentar à frente do computador e teclarem. Sei que não é assim, que,se escrevem bem hoje, com tanto talento, é porque já ficaram muitas vezes com a página em branco, procurando a melhor expressão.
E é assim que me sinto, hoje, ao tentar colocar umas palavras nesse meu cantinho, já que decidi retomar a escrita e não deixar tão abandonado esse espaço que me é tão caro.
Celebrações....
Ontem, esse meu “cantinho” fez quatro anos de existência. Me lembro bem, daquele dia chuvoso em que eu entrei para ver o que era um blog e acabei criando um. Foi um tempo difícil, pois não entendia nada de computador e a simples palavra template já me fazia tremer. Lembro que passei o dia e parte da noite dedicada à criação e concepção de tal espaço. Foi bom. Fui dormir feliz, com a sensação de ter realizado alguma coisa que me traria felicidade, ainda que não soubesse como. Não estava errada! Durante esse tempo, encontrei e compartilhei com tantas pessoas boas, inteligentes, cultas, sensíveis, que sem dúvida me ajudaram a ser uma pessoa melhor. Sem contar com as demonstrações de solidariedade que já experimentei nesse espaço virtual. Por tudo isso, só tenho a agradecer o carinho dos que me visitam e o interesse dos que comentam. Muito obrigada!
....Sempre gostei daquela frase “quando setembro vier.”...., entretanto nunca aconteceu nada de significativo em setembro. Mas esse ano, setembro me trouxe uma enorme alegria! Meu filho mais velho, Vitor, casou-se!
Foi de repente. Ele já namorava uma ótima moça há uns três anos e estavam planejando uma viagem para a Europa em setembro. Do planejamento da viagem, à idéia do casamento foi um pulo. No final de julho, ele me convidou para um almoço em sua casa com a desculpa que eu não conhecia os pais da Carla e assim seria uma boa oportunidade. Na época, ainda comentei com o Chico Sena que estava aqui no Rio, achando que talvez eu estivesse indo a um almoço de noivado. Não deu outra!
Durante o almoço, eles nos comunicaram que iam se casar, e pretendiam fazê-lo antes da viagem que estava marcada para o dia 8/09. Foi tudo uma grande correria. Eles se casaram no dia 2/9, em uma comovente cerimônia civil realizada em uma casa de festas muito bonita. Foi uma festa alegre, com os amigos da vida inteira e alguns poucos parentes. Ela estava linda num vestido de noiva plissado e com um pequeno arranjo na cabeça. Ele, meu filho querido, também estava muito lindo em um terno preto com uma camisa branca e gravata bordeaux. Na verdade, o que os fazia muito bonitos era a felicidade que estampavam em seus jovens rostos.
E assim, quando setembro chegou, eu virei “sogra”. O que me deixou muito feliz.
No tempo que passou.....
Há tanto tempo afastada, muitas coisas aconteceram e ficaram sem serem ditas.
Desanimei da escrita por estar sempre reclamando e não quero que esse meu cantinho vire um espaço político. Agora, é difícil engolir tanta baixaria e não falar nada!
Semana passada tive o prazer de receber o Beto Q em casa. Foi naquela noite do temporal e ele chegou todo molhado, mas com um pouco de vinho e uma massinha que preparei, conseguimos ter momentos agradáveis. Foi ele quem me fez ver que esse afastamento que me impuz só fazia mal a mim mesma, pois com isso me privo desse ótimo convívio que tenho através dos blogs.
Em julho, durante o Pan Americano, também tive o prazer de conhecer o Chico Sena, sua Lua e sua linda filha Juliana. Eles passaram um mês aqui no Rio e ficaram hospedados pertinho da minha casa. Nesse caso, foram eles quem me ofereceram um jantar com bruschettas, um penne à calabresa e um delicioso doce de limão com cobertura de chocolate. Difícil foi manter a silhueta.
Por esses encontros, mails que recebo e posts que leio, é que não posso ficar longe. Não devo perder essa oportunidade de compartilhar meus pensamentos com pessoas que me tratam com tanto carinho.
Até breve!
Continuando uma brincadeira....
Há tempos sem escrever e deixando-me ser engolida pela velocidade dos acontecimentos, eis que sou sacudida pelo amigo Chico Sena que me chama para brincar. As regras são as seguintes:
1ª) Pegar um livro próximo (PRÓXIMO, não procure);
2ª) Abra-o na página 161;
3ª) Procurar a 5ª frase completa;
4ª) Postar essa frase em seu blog;
5ª) Não escolher a melhor frase nem o melhor livro;
6ª) Repassar para outros 5 blogs.
Então, aí vão elas:
“Agora, estava realmente em Downalong, a parte velha da cidade, abrindo caminho através do desconcertante labirinto de vielas lajeadas e praças inesperadas, em direção às praias de mar aberto da Praia do Norte.” (Os Catadores de Conchas – Rosamunde Pilcher, pág. 161)
Repasso a brincadeira para Stella Klugt, Nora Borges, Adelaide Amorim, Ana Merege e Marcos.
A Deus
Nestes tempos difíceis encontrei dentro de um livro essa oração:
"Não me deixe rogar por proteção contra os perigos,
mas pelo destemor de enfrentá-los;
Não me deixe implorar pelo alívio da dor,
mas pela coragem de vencê-la;
Não me deixe procurar aliados na batalha da vida,
mas minha própria força;
Não me deixe suplicar com temor aflito para ser salvo,
mas esperar paciência para merecer a liberdade;
Não me permita ser covarde, sentindo sua clemência apenas no meu êxito,
mas me deixe sentir a força de sua mão quando eu cair."
(Rabindranath Tagore)
Abaixo um texto que gostaria que todos lessem e, se possível, divulgassem.
E NÓS CONTAMOS OS CORPOS...
Texto lido ontem, por Tico Santa Cruz, vocalista dos Detonautas, na escadaria da Assembléia Legislativa do RJ
"Os Deputados, Senadores, Prefeitos, Governadores e Presidentes, desfrutam de muitos privilégios PAGOS com o dinheiro do povo.
E nós contamos os corpos...
Seus filhos estudam em colégios particulares e muitos de seus parentes quando precisam são atendidos em excelentes hospitais que não pertencem à rede pública. ANDAM EM CARROS BLINDADOS e moram em locais da cidade protegidos por seguranças particulares
E nós contamos os corpos...
55% dos deputados estaduais residentes nesta Assembléia Legislativa estão respondendo a processos cíveis, criminal ou eleitoral, enquanto você sequer pode prestar concurso público se estiver envolvido em algum processo judicial.
E nós contamos os corpos...
Os políticos brasileiros são processados por fraudes, corrupção, desvio de verbas ou qualquer crime cometido ao longo de seu mandato TEM DIREITO A JULGAMENTO EM FORO PRIVILEGIADO. Até o momento nenhum político envolvido nos crimes e nos escândalos de corrupção que acompanhamos pelos jornais e TVs foram parar atrás das grades. Isso se chama IMPUNIDADE.
E nós contamos os corpos...
Verbas que deveriam ser destinadas a Rede Pública de Ensino, aos Hospitais, a Segurança de nossas Comunidades é desviada por muitos destes cidadãos que deveriam nos defender e nos representar.
E nós contamos os corpos...
O Supremo Tribunal Federal retomou dia primeiro de março o julgamento de recurso destinado a garantir o foro privilegiado a "agentes políticos" processados por improbidade administrativa, mesmo que já tenham deixado o cargo. Dos 11 ministros do STF seis já votaram a favor do político e um contra. Restam votar quatro ministros.
A medida, se aprovada, impedirá que ministros de Estado e o presidente da república sejam fiscalizados por procuradores na primeira instância da Justiça, como ocorre hoje. Além de paralisar os processos em andamento a decisão do STF permitirá que administradores já condenados possam pedir a RESTITUIÇÃO de valores que foram obrigados a devolver aos cofres públicos.
Cerca de 10 mil inquéritos e ações judiciais contra autoridades acusadas de corrupção podem ser arquivadas. Os defensores do foro privilegiado querem que presidentes, ministros, governadores e prefeitos envolvidos em corrupção não sejam mais atingidos pela lei. O Código Penal Brasileiro é de 1940.
E nós contamos os corpos...
Um soldado da policia militar ganha 800 reais por mês.
Um professor ganha em média 400 reais por mês.
Um médico do SUS ganha em média 1.500 reais.
O Estado gasta em média com nossas crianças 300 reais por mês.
Um preso custa aos cofres públicos em média 800 reais por mês e todos nós sabemos que o Estado não oferece nas penitenciárias NENHUMA CONDIÇÃO DE REABILITAÇÃO dos apenados, cabendo a sociedade arcar com todos estes custos e mais os salários dos nossos políticos que passam de QUINZE MIL REAIS mensais.
E nós contamos os corpos...
O Rio de Janeiro está em guerra enquanto nossos representantes não fazem nada
E nós contamos os corpos...
Fim da impunidade.
Fim da imunidade parlamentar.
Fim do voto secreto no Congresso Nacional.
Queremos segurança, educação e saúde de qualidade, pois pagamos por isso.
SEM JUSTIÇA NÃO HÁ PAZ.
Deputados assumam suas responsabilidades, pois elas são do mesmo tamanho de seus privilégios.
Enquanto nós contamos os corpos.
Ass. "Voluntários da Pátria"
Sem palavras....
Queria escrever, manifestar meu horror ao ver que estamos perdendo a humanidade de forma avassaladora, mas estou chocada demais, triste demais e desesperançada demais. Deixo aqui o post abaixo, com um poema de Rui Barbosa, que diz, talvez, o que eu não consegui escrever.
Que triste!
O poema de Rui Barbosa é de uma impressionante atualidade. Poderia ser escrito hoje sem mudar uma palavra.
SINTO VERGONHA DE MIM
Sinto vergonha de mim
por ter sido educador de parte desse povo,
por ter batalhado sempre pela justiça,
por compactuar com a honestidade,
por primar pela verdade
e por ver este povo já chamado varonil
enveredar pelo caminho da desonra.
Sinto vergonha de mim
por ter feito parte de uma era
que lutou pela democracia,
pela liberdade de ser
e ter que entregar aos meus filhos,
simples e abominavelmente,
a derrota das virtudes pelos vícios,
a ausência da sensatez
no julgamento da verdade,
a negligência com a família,
célula-mater da sociedade,
a demasiada preocupação
com o "eu" feliz a qualquer custo,
buscando a tal "felicidade"
em caminhos eivados de desrespeito
para com o seu próximo.
Tenho vergonha de mim
pela passividade em ouvir,
sem despejar meu verbo,
a tantas desculpas ditadas
pelo orgulho e vaidade,
a tanta falta de humildade
para reconhecer um erro cometido,
a tantos "floreios" para justificar
atos criminosos,
a tanta relutância
em esquecer a antiga posição
de sempre "contestar",
voltar atrás
e mudar o futuro.
Tenho vergonha de mim
pois faço parte de um povo que não reconheço,
enveredando por caminhos
que não quero percorrer...
Tenho vergonha da minha impotência,
da minha falta de garra,
das minhas desilusões
e do meu cansaço.
Não tenho para onde ir
pois amo este meu chão,
vibro ao ouvir meu Hino
e jamais usei a minha Bandeira
para enxugar o meu suor
ou enrolar meu corpo
na pecaminosa manifestação de nacionalidade.
Ao lado da vergonha de mim,
tenho tanta pena de ti,
povo brasileiro!
"De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça,
de tanto ver agigantarem-se os poderes
nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar da virtude,
a rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto".
(Rui Barbosa)